Saturday, December 18, 2010

o poema que eu teria escrito, se soubesse




Ne me quitte pas, il faut oublier
Tout peut s’oublier qui s’enfuit déjà
Oublier le temps des malentendus
Et le temps perdu à savoir comment
Oublier ces heures qui tuaient parfois
A coups de pourquoi le coeur du bonheur
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Moi, je t’offrirai des perles de pluie
Venues de pays où il ne pleut pas
Je creuserai la terre, jusqu’ après ma mort
Pour couvrir ton corps d’or et de lumière
Je ferai un domaine où l’amour sera roi
Où l’amour sera loi, où tu seras reine

Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas, je t’inventerai
Des mots insensés que tu comprendras

Je te parlerai de ces amants là
Qui ont vu deux fois leurs coeurs s’embraser
Je te raconterai l’histoire de ce roi
Mort de n’avoir pas pu te rencontrer
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

On a vu souvent rejaillir le feuDe l’ancien volcan
qu’on croyait trop vieux
Il est parait-il des terres brûlées
Donnant plus de blé qu’un meilleur avril
Et quand vient le soir pour qu’un ciel flamboie
Le rouge et le noir ne s’épousent-ils pas?
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Ne me quitte pas je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler, je me cacherai là
A te regarder danser et sourire
Et à t’écouter chanter et puis rire
Laisse-moi devenir l’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main, l’ombre de ton chien
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas

Friday, December 17, 2010

nas minhas mãos

O desejo todo concentrado nas minhas mãos
unhas tendões nervos falanges pele gelada
transpirada.
Seguro um cálice na mão e esmigalho-o
sob a força dos dedos os vidros enterrando-se na carne,
um prazer lancinante a lembrar-me o teu corpo
_o meu corpo
árvore no claustro dos teus braços, arcadas de abrigo,
eu árvore encarcerada, enraizada,
o teu nome inteiro escrito a golpes de navalha no tronco,
e a seiva que escorre de mim perfumada
mel na tua língua.

Sunday, December 12, 2010

na parede

(Foto de Carla Alves)

Tuesday, December 7, 2010

rua

Sou uma rua com chuva por dentro. Fria e cinzenta, de janelas fechadas e braços abertos a quem não vem. Amontoei pelas bermas folhas vermelhas de verões à sombra gentil de mãos dadas como ramos, varridas agora por um vento gelado que fechou as janelas e chamou a noite e impede a chuva de sair de mim. Não há flores nos vasos das janelas fechadas, olhos trémulos a escorrer olheiras. Um golpe de sol e talvez a gota rubra de uma sardinheira a aparecer junto a uma porta. Mas a primavera não chega nunca, por mais que a deseje e reze por ela prostrada abaixo do chão, e doem-me os passos de quem me atravessa a correr para chegar ao calor da casa. Que eu não fui feita para ser atravessada em pressas distraídas. Houvesse quem quisesse deter os passos em mim, bater às portas, abrir as janelas, encher-me de um sorriso, descobrir que o amanhecer me deixa púrpura, plantar flores nos vasos esventrando a terra húmida com as mãos. Descobriria talvez que fui feita para se viver dentro.

Monday, December 6, 2010

E o vencedor é...

"More than words" é a musiquinha vencedora da sondagem do mês. Obrigada a todos os que votaram.

Zé, votaste várias vezes, não foi?

Sunday, December 5, 2010

Thursday, December 2, 2010

Negação

Deixei de acreditar num Deus e às vezes dói tanto essa falta de fé... Porque admitir a inexistência de Deus é admitir que estamos sozinhos e, se estamos sozinhos, somos tão livres quanto responsáveis e tão nós-mesmos quanto desamparados. E hoje senti-me desamparada e sozinha, sem ninguém a quem pedir só um bocadinho de força para enfrentar o medo terrível de uma perda irremediável.