Thursday, August 7, 2008

Grandes razões para ver os Olímpicos

Injustiças

Ouvi dizer que o nosso prezado governo deseja aumentar as portagens para quem viaje sozinho. Ou seja, para além do horror que é conduzir sem ninguém no banco do lado a quem dar a mão por cima da alavanca das mudanças, ou com quem conversar, ou que cante connosco ao som do auto-rádio, os solitários ainda serão obrigados a pagar mais. Os solitários já pagam mais aos carochos que os "ajudam" a arrumar o carro em troca da moedinha-para-comer-qualquer-coisinha-chefe! porque não têm ninguém que simpaticamente saque dos trocos por ter vindo à boleia. Não havia necessidade de lhes aumentar as portagens só porque ninguém quer entrar num carro com eles porque são perigos a conduzir/ são chatos/ cantam mal durante toda a viagem/ rezam o terço em voz alta (refª minha avó).
É triste. E revoltante. Solitários deste país, uni-vos! Se possível, dentro do mesmo automóvel...


Nota: This is the only picture of Paris Hilton you will ever see in this blog, and that's because she is crying hard. Thanks for understanding.

Tuesday, August 5, 2008

Trouble



Às vezes fico com saudades de músicas assim.

Sunday, August 3, 2008

Cartas a uma ditadura


A RTP2 decidiu presentear-nos e celebrar o aniversário da queda do Sr Presidente do Conselho com a exibição do documentário "Cartas a uma ditadura", de Inês de Medeiros. A realizadora conversa com mulheres que, em 1958, responderam a uma circular tendente a criar um movimento feminino de apoio à Pátria e ao Regime. Todas manifestavam, à época, a gratidão e admiração pelo ditador. Hoje, confrontadas com os fantasmas do passado e com o que escreveram, algumas dizem apenas que "não se lembram". Ou que não querem lembrar. Ou que não tinham consciência do que escreviam, porque não sabiam nada de política.
As excelentíssimas senhoras, actualmente acomodando as rugas nas poltronas das casas que herdaram do pai, na linha de Sintra, com as "mulheres a dias" a atravessar silenciosamente os espelhos, dão um testemunho do que era a vida das privilegiadas da época: eram mulheres ideais. Esposas, mães, mulheres de caridade e boas cristãs. Podiam ficar em casa e não trabalhavam: o dinheiro que o chefe de família ganhava num bom lugar de um qualquer ministério ou a explorar uma fábrica cheia "desses que se revoltavam" chegava bem para as madames poderem, nos intervalos do governo do lar e da educação do filhos, tantas vezes entregues às criadas, dedicar-se ao serviço do país: uma vez por mês vestiam-se de forma simples e desciam à Curraleira, levar aos pobrezinhos o pão da caridade, com a mensagem cristã e salazarista dentro. De vez em quando, um extra: metiam-se no seu carro com chauffer para irem a uma aldeia escondida, convencer a mulher que fugira à violência de um marido alcoólico, a ser uma esposa como deve ser e voltar para casa. E, antes da teatrada das eleições presidenciais, as dignas senhoras serviam-se dos seus conhecimentos para recensear apenas votantes "de confiança" e cortar das listas as ameaças à sua estabilidade e das suas famílias.
Algumas admitem-no, outras não. E tudo isto por sobre as imagens das verdadeiras mulheres portuguesas: as camponesas, as operárias, as criadas de servir, que trabalhavam dia e noite para alimentar os filhos. Essas sim podem dizer sem mentir: eu não sabia o que era a política. Eu não me lembro de escrever essa carta (como poderia, se nunca entrei numa escola?). Eu não tinha outra preocupação que não fosse a de pôr pão na boca dos meus filhos. Tudo o que queria era que não viessem a ter uma vida miserável como a minha.
As mães precocemente envelhecidas pelo sol das searas e das vinhas e das noites sem sono, a pensar nos filhos, tão longe, no "ultramar", a defender o que nunca seria deles. Desses rostos não chegaremos nunca a ouvir nada, senão as lágrimas engolidas a preto e branco.

Que cartas escreveriam elas, se soubessem?

A queda


"Salazar caiu há 40 anos

Nenhuma outra queda de um governante teve tanta importância na História de Portugal quanto a de Oliveira Salazar: o então presidente do Conselho caiu quando se sentava numa cadeira de lona – faz hoje, dia 3 de Agosto, 40 anos – num terraço do forte de Santo António. Salazar bate com a cabeça no chão de laje. Teima em não consultar de imediato o médico pessoal, Eduardo Coelho, que só é chamado um mês depois. O chefe do Governo arrasta a perna esquerda e queixa-se de falta de memória. Aceita submeter-se a exames, à noite, em segredo, no Hospital dos Capuchos. Os médicos descobrem um hematoma intracraniano. É internado no quarto 68 do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, e operado a 7 de Setembro pelos neurocirurgiões Álvaro de Athayde e Vasconcelos Marques.

Nove dias depois sofre uma trombose – que o deixa incapacitado. É demitido e substituído por Marcelo Caetano. Morre a 27 de Julho de 1970, convencido de que ainda estava à frente do Governo."

in Correio da Manhã online

Ora, quem manda o senhor professor ser unhas de fome e ter no terraço uma cadeirita de lona comprada na loja dos chineses, em vez de uma daquelas espreguiçadeiras jeitosas, em madeira, e com almofada às riscas azuis e verdes?
É no que dá a mania da poupança...


Viagem


Mudei. É nisso que penso, nesta viagem de regresso de um lugar onde já fui tão feliz e que é uma memória de riso ternura família amizade aconchego amor. Um cesto cheio de recordações redondas e brilhantes como maçãs. E no meio o sabor acre e a mancha bolorenta de um fruto vermelho, a contaminar todas as outras, no silêncio, como uma ferida aberta.
O mar de Espinho e as suas ruas tiradas a esquadro, vão ficando para trás, batidas de vento. Não quero lembrar nada. O passado é uma figura rupestre feita com os dedos e o sangue e que representa uma felicidade extinta. Vou sentada no comboio, avanço de costas, sempre a olhar para trás: as árvores, as casas, os campos, as fábricas a fugirem para longe. Não chega a hora de viajar no sentido correcto, com a vida a entrar-me pelos olhos adentro...

Friday, August 1, 2008

Para quem ainda tinha dúvidas...




Have a nice weekend. I will.