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Sunday, May 1, 2011

Domingo



Ontem não existiu o "sábado". E este domingo está longe de ser meu. Será por não beber superbock?

Monday, April 4, 2011

A justiça não é para pobres!

(Esta foto respeita o acordo ortográfico)


Assoberbada com o excesso de candidatos à nobilíssima profissão de advogado (para mim nem mais nem menos que a de agricultor, embora este durma melhor à noite), a Ordem dos Advogados tentou, numa primeira fase, estancar a sangria das Faculdades de Direito deste país exigindo que os licenciados se submetessem a um exame de acesso ao estágio. Já antes tinha cortado aos advogados estagiários inscritos a possibilidade de serem nomeados defensores oficiosos ou de fazer escalas, com o argumento de que são incompetentes, mesmo após terem sido aprovados pela Ordem nos exames da Ordem, finda a fase de formação ministrada pela Ordem.


Agora, perante o "não" do Tribunal Constitucional ao exame de acesso, a Ordem delibera novos preços e emolumentos: os candidatos a advogado pagam, até ao final da primeira fase, €700 e, até ao exame de agregação, €650. Ter a cédula profissional não só vos vai custar 3 dos melhores anos da vossa vida, como ainda €1350. Pensem bem no que conseguiriam fazer com esse dinheiro. Pensem bem em quanto tempo e de quantas horas de trabalho numa loja de roupa/caixa de hipermercado/imobiliária/call center vão ter que fazer para o recuperar quando tiverem a nobilíssima profissão de advogado e não vos servir para rigorosamente nada. Têm a certeza de que se querem mesmo meter nisto? Ah, e não comprem toga! Nunca a vão poder usar e sempre poupam €200, que vos vão dar jeito para pagar as quotas.

Saturday, April 2, 2011

requiem

Várias vezes conversei com o meu pai sobre aquilo que cada um de nós queria que fosse feito nos respectivos funerais. E isto não tem, nunca teve, qualquer tipo de morbidez associada _ para nós era normal falar do assunto, muito embora, como toda a gente, nos custasse pensar a morte do outro e não a própria. Cheguei a pensar que a necessidade de dizer como queria que as coisas fossem feitas se prendia com a minha necessidade de controlar tudo na minha vida, incluindo a morte. Mas à medida que me fui conhecendo percebi que o controlo é algo que, de certa maneira, desprezo. Vivo muito melhor sem ele. A organização do meu funeral não é senão uma actividade lúdica de horas mortas, que tem dado para boas conversas e sadias discussões. As minhas ideias foram mudando, ao longo dos anos. Tinha decidido que queria que lessem o capítulo 13 da I epístola de S. Paulo aos Coríntios :"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine", mas desisti, porque Paulo estraga tudo mais à frente. E já mudei de flores preferidas mil e uma vezes: rosas brancas, cravos vermelhos, girassóis, camélias. Cheguei a dizer que queria levar um telemóvel carregado e com bateria, num caixão sem chumbo, por causa da rede, para poder ligar caso afinal estivesse viva, matando de susto a pessoa que atendesse o telefone. Mil e um pormenores. Mas faltou sempre o mais importante: a música. Toda a gente tem uma música que gostaria que fosse tocada no seu funeral, desde a Lacrimosa de Mozart (para os mórbidos) ao Goodbye my lover do James Blunt (aproveito já para avisar os meus amigos que escolherem esta última que se arriscam a que eu tenha um ataque de riso nos seus funerais, dada a pirosice da coisa).

Eu não consigo decidir que música é que eu quero para o meu. Podia ser uma pseudo-intelectual cara de cu e querer o Concerto #1 para piano, de Tchaikovsky. Ou alternativa e escolher uma coisa levezinha dos Sigur Ros. Ou brejeira e encomendar ao Quim Barreiros um requiem especial, com muito acordeão e que metesse palavras alusivas a enterro. Pressuponho que ainda tenho algum tempo para decidir, mas de pressuposições estão os cemitérios cheios. Há sugestões?

Friday, March 11, 2011

bad hair and skin and face and body day

( Foto de Ida Wyman)

Tinha prometido a mim própria que iria aproveitar o tempo para ser menina, feminina, vaidosa, preocupada: fazer uma limpeza de pele, uma massagem, dar um jeito a este cabelo que não tem jeito nenhum, pôr as unhas nas mãos de uma profissional, organizar o roupeiro por cores. Ler revistas de beleza, beber dois litros de água por dia, comer frutas e legumes e dormir horas intermináveis.

Em vez disso, experimentei conduzir um camião, podei videiras, carreguei móveis, plantei árvores e li Cardoso Pires. O meu roupeiro continua um caos, as unhas por pintar, sinto toda a gordura do que comi acumulada debaixo da minha pele, certamente à espera do momento certo para se manifestar (um dia de muita luz, um grande espelho e TPM). E duvido que o vinho tinto que bebi seja o suficiente para diluir tantos lípidos.

Não fui menina, feminina, vaidosa, preocupada. Fui a desleixada, gulosa e saloia do costume. E agora estou ligeiramente arrependida. Será que se acender umas velas, puser os Sigur Rós a tocar só para mim e fizer uma máscara caseira ainda vou a tempo? Um dirty martini também ajudava...

Wednesday, March 2, 2011

Trivia


Há imensas coisas sobre o casamento que eu desconheço, como, por exemplo, como se convenciona quem dorme de que lado, na cama; a partir de quanto tempo é aceitável que um dos cônjuges lave os dentes enquanto o outro faz cocó (na mesma casa de banho) e quem é que tem o direito de ficar com o gato ao colo enquanto vêem televisão. E também não sabia que a cada ano de casamento corresponde um tipo de "boda". Achava eu que só existiam bodas de metais nobres como de prata, aos 25 anos, ou de ouro, aos 50.
Mas afinal, quem não se imagina a viver tanto tempo, tem outras bodas para festejar: acho deliciosas as de caramelo, ao 6º ano. Deve ser aquela fase em que o cônjuge ainda é doce mas tem defeitos terríveis, como colar-se aos dentes. Aos 10 anos celebram-se as de alumínio. Não é romântico, mas é útil, resistente, não enferruja e limpa-se com facilidade. Ao 14º são de marfim. Resta saber o quê... Um ano depois, as bodas são de cristal. Talvez seja pela transparência. Talvez seja pela facilidade em escacar-se irremediavelmente. Aguentando 40 anos de casamento, chega-se à preciosidade do rubi. E se, por hipótese, alguém se casa aos 20 anos e faz 95 ainda casado, é boda de platina. Nos joelhos, talvez. A essas, nunca chegarei. Mas só porque não me casei aos 20. E tenciono divorciar-me aos 90, para aproveitar um bocado.

Tuesday, February 15, 2011

fada do lar


Devia ter entrado em modo estudo há uma semana, mas só devo começar hoje à noite. Antes disso, tenho tantas coisas para organizar que não sei sequer por onde começar. A organização precisa de listas. De prioridades. De disciplina (tão difícil...). E eu não posso começar a estudar sem:


1. Aspirar, limpar o pó e arrumar a sala.

2. Lavar a louça, as bancadas, o fogão, o microondas e o chão da cozinha.

3. Pensar em qualquer coisa para o jantar.

4. Aspirar o corredor e a casa de banho.

5. Fazer a cama, arrumar os quilos de roupa espalhados pelo quarto, limpar o pó e aspirar.

6. Lavar peças delicadas à mão.

7. Deitar o lixo fora.

8. Lanchar.


E perguntam vocês, leitoras disciplinadas cujas casas cheiram bem, cujo tempo chega para tudo, conseguem estudar enquanto fazem fricassé para 10 pessoas e ainda parecer sexys e ter as unhas pintadas: não achas que já devias ter começado às 9 da manhã? Sim. Mas não sou suficientemente disciplinada. Talvez consiga começar a estudar amanhã. Se ainda conseguir fazer tudo isto hoje. O pior é que a minha gata acaba de dar uma bufa e isso não ajuda a que a minha casa cheire melhor.


Tuesday, February 8, 2011

Padaria Pastelaria "A Caderneta"

O café da minha rua podia perfeitamente chamar-se assim, tal é a quantidade, diversidade e qualidade de cromos que por lá param.
Há o bêbedo sempre a cravar moedinhas para mais um copito de branco ou de bagaço, ou o que houver. Que não é ecologista, diz ele, mas acha mal que se matem as árvores e as oliveiras para fazer notas, quando as moedas chegam muito bem.
Há um rapaz muito novo e já sem dentes, de tanto dar nas drogas, que chega, pede, come, e no fim declara com a maior lata deste mundo que não tem dinheiro para pagar. Ao responso do empregado, encolhe os ombros e diz com voz de Eduardo Sá: pensava que já tínhamos ultrapassado essa fase.
Na mesa do canto, as três marias, pão nosso de cada dia, chova ou faça sol, sempre depois do almoço. Cada uma com seu talento: uma faz conjuntos completos de crochet rosa choc ou azul turquesa, outra tem a capacidade extraordiária de parecer uma tartaruga, com o seu pescocito enrugado, esticando a cara em direcção ao sol, e a terceira, toda vestida de preto, é bem capaz de concentrar em si todo o azedume do mundo contra o bicho homem e o homem bicha.
Um dia, escreverei mais detalhadamente sobre cada um. Quando tiver tempo de me deixar ficar a ouvir atentamente as conversas das mesas do lado.

Friday, January 7, 2011

às vezes,


em certas circunstâncias, sinto-me EPIFANOFÓBICA.

Wednesday, December 29, 2010

então mas esta agora é só francius?

perguntam vocês, gatos-pingados leitores. Pois, digo eu. Estou a atravessar uma fase francesa. Já passei por tantas: a do grunge, a do jazz, a da intervenção, a do fado de Coimbra, a da Winehouse. Umas testemunharam-nas, outras não. Agora estou na fase francesa, embora ainda não a fundo: ouço Piaff e Brel, mas apenas porque fico extasiada com a intensidade dela e com a poesia dele. Continuo sem saber falar francês, por exemplo, agora gostaria de dizer que a minha gata está a disputar o meu colo com o portátil e não me deixa escrever em sossego, em francês, mas sai-me algo como: ma chatte est en conflit avec mon ordinateur et ne me laisse pas ecrire en paix, o que, de certeza, não está correcto.
(Pelo menos já não estou naquela fase que durou cerca de 10m da noite de 25 de Dezembro que consistiu em traduzir as palavras dos outros para inglês macarrónico. "tem dois furões", dizia a Gina, "two furonssss...*hic*" dizia eu. "Marta, para com isso", dizia o Zé, "Marta, stop det!*hic*".)
E uma vez que estou a entrar na fase francesa, as minhas résolutions pour la nouvelle année sont:
1. suivre un cours en français;
2.voir les films français suivants:
2.1. Les petits mouchoirs;
2.2. L'homme qui voulait vivre sa vie;
3. aller à Paris avec Joseph et Christine;
4.cesser d'utiliser le traducteur de Google.
PS: Pena que ninguém possa ouvir como fico sexy a tentar pronunciar isto...

Monday, November 29, 2010

Sondagem do mês

Esta vai para todos os que namoravam em veículos cujas letras da matrícula apareciam antes dos números, com o auto-rádio sintonizado no Oceano Pacífico ou a ler cassetes especificamente gravadas para esse fim, em pinhais/eucaliptais/descampados/Serra da Boa Viagem. Qual a melhor música para "curtir", na década de 90?










Saturday, November 20, 2010

A voz do povinho

Andar de autocarro tem as suas vantagens, e uma delas é assistir a comentários políticos mais bem informados, fundamentados e eloquentemente proferidos do que os de qualquer analista ou opinion maker famoso.
O dia de ontem foi marcado pela cimeira da NATO e, quanto a isso, dizia uma senhora comentadora (70 anos, mise cinzenta, voz forte projectada até aos últimos bancos):
Esses da cimeira andam-nos a comer tudo e nós a ver! P'ra ser bem, era uma granada _ Buuuuumm!_ no meio deles todos, que lhes arrebentasse aquele cu! Todos prá puta que os pariu, masé! Que nisto, o único que se aproveita inda é o Obama. Esse, se quisesse, tinha cá cama, mesa e roupa lavada, e se casasse comigo ainda tinha direito a sexo, que eu mesmo com 71 ano ainda a tenho no sítio.
Isto agora é só bandalhos! Porque nas escolas, na vez de ler e escrever, agora ensinam é sexo! É só sexo, hão-de ser todas umas putas. Se bem que, com a crise que vai, nem as putas se safam!
Não conseguem imaginar o que me custou sair na minha paragem, bem a meio do programa. O Obama devia ter marcado encontro com ela, para um almoço de trabalho de arroz de feijão e pataniscas, bem regado de carrascão e levar de souvenir uma peça de louça das Caldas, para pôr em cima da lareira da Casa Branca. Aposto que pensaria seriamente em mudar-se para cá.

Monday, November 15, 2010

Olá, sou a nova vizinha do segundo!


Mudei de casa. A bem da independência pessoal, sanidade mental e relações familiares entre os meus primos caloiros e eu.


O prédio onde vivia tinha 9 andares com 4 apartamentos cada um. O actual tem 4 andares com 3 apartamentos cada e é desprovido de elevador (alguém se oferece para me ajudar a mudar o sofá?).


Descobri que viver num bairro-dormitório em Coimbra é muito diferente de viver nesta aldeia à porta da cidade. Até agora, a última parece-me melhor: vistas de luxo para o luxo, pastelaria, mini-mercado, loja de ferragens e cabeleireiro pertíssimo, excelente isolamento acústico. Ausência de bandas de garagem e afins e, até ver, ausência de senhoras do círculo de leitores, comerciais das tv's por cabo, testemunhas de jeová e outros que costumam bater-nos à porta precisamente quando estamos a pintar as unhas dos pés, de roupão, com creme descolorante no buço e cabelo desgrenhado.


Mas as odisseias com os vizinhos continuam. E se no anterior apartamento o problema era a escassez de isolamento de som, aqui é a escassez de lugares de estacionamento: logo na primeira semana, cometi o erro crasso de estacionar o bólide frente a uma das garagens do prédio. Era para ser só por 5 minutos, mas adormeci e acordei meia hora depois, com buzinadelas frenéticas e a campaínha da porta a tocar como se houvesse um incêndio: tive que encarar, de olhos remelosos, a cara furiosa do dono da garagem, que é desses sujeitinhos que penduram as meias na corda por degradé de cores, e pedir mil desculpas, enquanto tentava recuar, com as lentes de contacto secas.


Depois, começamos a estacionar num excelente lugarzinho que (aparentemente) não incomodava ninguém, entre um carro sem rodas coberto por um toldo e um renault clio velho com todos os pneus furados. E os nossos carros começaram a aparecer "trancados" por este último. Sem que ninguém se apercebesse, o dono fazia-o descair para nos impedir de sair dali. Com manobras de génio e alguns toques no carro dele, sempre conseguimos contornar o obstáculo. Até sábado...


Furiosas, em cima da hora para ir trabalhar, vai de buzinar até que o polegar nos doa. Aparece a vizinha do quarto, vociferando que não-sei-quem estava convencido que aquilo era tudo dele e que tinha a mania de trancar tudo quanto era veículo e que até já havia queixa na polícia municipal. Que vivia no prédio do mini-mercado e toda a gente sabia quem ele era. Eu, de cabelos em pé, decidi logo chamar a polícia com um reboque, mas a Cláudia, mais sensata e pacífica, achou melhor tentarmos encontrar o homem para falar civilizadamente. Depressa percebi que a situação não era nova, porque toda a gente no mini-mercado sabia bem de quem é que eu andava à procura. Porém, informaram-me que sim, senhor, o homem arrenda o espaço todo e que se ele já nos tinha trancado o carro, não tínhamos nada que o lá deixar. Retorqui que eu não adivinho que contratos de arrendamento é que ele tem, que sem placa de "parque privado" eu deixo lá quantos carros quiser, e que vou chamar já a polícia.

Claro que, já depois de eu ter apanhado outra boleia para ir trabalhar, aparece o homenzinho, na sua motoreta, vindo de um tasco qualquer com um bafo bastante esclarecedor e que talvez tenha sido a causa de ele se espetar de mota contra o portão da própria garagem. Vinha indignadíssimo, que não tirava o carro não senhora! Isto é tudo meu e o camandro, e não sei como tiraram daqui o carro das outras vezes, e a polícia, e Pombal e Castelo Branco, uma salganhada. A Cláudia lá optou por conversar com os filhos do homem, sóbrios e sensatos, que acabaram por tirar o carro. Chegou a polícia e não foi preciso sair da sua viatura branca e azul. E o vizinho continua sem lá pôr a placa de "Parque Privado"...

Sunday, September 19, 2010

confissão

( Seidel)

por muito que não queira, por muito que evite, por muito que racionalize e as saiba doentias, por muito que defenda o seu fim... às vezes dou por mim a ver touradas. atirem-me as pedras que quiserem: eu mereço.

Sunday, August 22, 2010

Crítica da euforia

Eu já sei que vou ser mal interpretada, mas paciência.
Não gostando de generalizar e ainda menos de não gostar de quem não conheço baseada num factor como, por exemplo, o país de origem, assumo que, demasiadas vezes, os brasileiros me causam uma certa irritação.
Ainda ontem, um grupo de quatro brasileiras conseguiu pôr-me os nervos em franja, pelo simples facto de parecerem um bando de araras com o cio, a tagarelar a uma velocidade extraordinária e em gargalhadas a decibéis muito acima do permitido por lei. E sempre com aquela entoação eufórica que o português só tem quando ganha o euromilhões ou a selecção nacional ganha qualquer coisa importante.
O que me deixou a pensar: afinal, o que é que me irrita tanto? Resposta: não é a nacionalidade brasileira. É a porcaria da euforia. A verdade é que as pessoas que gozam da benção de serem optimistas, felizes, alto astral, boa onda, ou simplesmente alegres (a alegria é uma coisa tão prosaica), deixam-me fora de mim, quase tanto como aqueles mails com gatinhos e cãezinhos fofinhos e frases pirosas a brilhar. Prefiro mil vezes a companhia de gente com mau feitio, mas mais silenciosa. O que, obviamente, faz de mim uma pessoa muito, muito triste.

Sunday, August 15, 2010

A gata que queria voar

Chamo-me Jimi e ganhei uma história para contar.

Tudo começou quando decidi aprender a voar.


Na varanda da minha casinha

conheci muitos outros bicharocos:

borboletas, moscas, uma libelinha

e pássaros com ar de loucos.


Um pardal que se chama José

disse-me certo dia:

vem voar, eu mostro como é!

Vais saber o que é a alegria.


Como sou uma gatinha nova

E com força de vontade

Decidi logo pôr-me à prova

E cedi à curiosidade.


Saltei para o muro e olhei para o chão

Tão longe, lá no fundo!

Mas mais forte que medo no coração

Era a vontade de conhecer o mundo.


Vá lá, estou à espera! Salta!

Piou o José, esvoaçando à minha frente

Com tanto medo de alturas não és gata,

mais pareces gente!


Ora, aquilo feriu-me o orgulho,

Que eu sou bastante felina.

Destemida, sempre a fazer barulho,

Irrequieta, corajosa e ladina.


E para provar que não sou medrosa

E que não tenho nada a ver com gente

Mandei-o engolir a prosa

E dei um passo à frente.


A primeira coisa que senti foi o vento

E sob as patinhas o vazio.

Mas logo a seguir a dor do pavimento

E no estômago um arrepio.


Não me lembro depois muito bem

De tudo o que aconteceu

Só miava pela minha mãe

Enquanto o dia não nasceu.


No final de uma noite de dor,

(e que longa a noite foi)

A minha dona levou-me ao doutor

Para me tratar o dói-dói.


Levei duas picas no traseiro

A que nem torci o nariz

Deixaram-me descansar primeiro

E depois fizeram Raios-X


Para além de muito dorida

Não fui assim tão azarada

Porque a única ferida

foi a bacia fracturada.


Agora que voltei para casa

Já sei que me espera um mês

Em que vou ter que ficar sossegada

Para depois voar outra vez.










Thursday, August 5, 2010

O acordo

Detesto o acordo ortográfico. Leio um jornal ou uma revista e a minha voz mental soa a uma mistura de tia de Cascais com carocho arrumador de carros disléxico. Às vezes dou por mim a olhar para a mesma palavra 30 vezes antes de conseguir perceber bem de que se trata.
ator
aspeto
agosto
proteção
Não significam coisa rigorosamente nenhuma.

Sunday, June 13, 2010

Iutube

O que me irrita é não conseguir ver as cenas "polémicas" dos vídeos da Lady Gaga por não suportar ouvir a música tempo suficiente...

Sunday, May 16, 2010

Pela vossa saúde

Um aturadíssimo estudo, baseado no comportamento de algumas espécies em contexto queima-fitístico e no testemunho esclarecido de reputados especialistas, permitiu-nos concluir que, tal como a SIDA, a BURRICE é uma doença sexualmente transmissível e altamente contagiosa. Proteja-se: antes do sexo, faça um teste... de QI.

Wednesday, May 12, 2010

pá...

... sabem quando a nossa vida parece que se repete por qualquer razão, e estamos sempre a sofrer o mesmo tipo de decepções, ou de rejeições ou algo assim do género, e já nem há muito a dizer, porque o que estamos a sentir agora é o mesmo de há 1 ano atrás , e de há 3 ou 6 ou 10, e só mudam as pessoas? E depois ficamos a pensar se é o malvado destino, ou a vida, ou culpa nossa? E encolhemos os ombros, olha, azar, comigo é sempre assim, também já estou habituado? Pronto. É isso.

Wednesday, May 5, 2010

Livro Amarelo

RECLAMAÇÃO


Ex.mo Senhor Deus:


Venho por este meio mostrar a minha indignação perante os defeitos de fabrico inerentes à construção da minha pessoa que, não sendo imputáveis aos meus pais, parentes, amigos, conhecidos ou qualquer outra entidade pública ou privada, por exclusão de partes, só podem ser da responsabilidade de V. Exa.

Assim, e em ordem aleatória:


1) O que os outros espécimes humanos conseguem fazer em 10 dias, eu preciso de 10 anos;


2) Sou incapaz de manter viva qulaquer planta (incluindo cactos) que esteja a meu cuidado, por muito que me esforce;


3) Possuo dois pés esquerdos de tamanho 39.


4) O meu cérebro não tem a função de "suspensão" ou "hibernação", resultando na viciação da bateria e no sobreaquecimento frequente dos neurónios.


5) Tenho alergia ao estrangeiro, à Primavera e à Beyonce.


6) Sofro de pessimismo crónico;


E podia continuar como se não houvesse amanhã. Mas, infelizmente, há.


Assim, deve V. Exa. dignar-se reparar as falhas de equipamento acima descritas com a maior brevidade possível ou, caso a reparação não se mostre viável, a substituição deste equipamento por um novo numa próxima reencarnação.


Sem outro assunto