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Wednesday, May 11, 2011

Os 30 anos

sobre a morte de Bob Marley deixam-me a pensar em duas coisas:

1. Há pessoas que vivem jovens para sempre.
2. Já só faltam 3 anos para os meus 30... (humpf)

Saturday, April 2, 2011

requiem

Várias vezes conversei com o meu pai sobre aquilo que cada um de nós queria que fosse feito nos respectivos funerais. E isto não tem, nunca teve, qualquer tipo de morbidez associada _ para nós era normal falar do assunto, muito embora, como toda a gente, nos custasse pensar a morte do outro e não a própria. Cheguei a pensar que a necessidade de dizer como queria que as coisas fossem feitas se prendia com a minha necessidade de controlar tudo na minha vida, incluindo a morte. Mas à medida que me fui conhecendo percebi que o controlo é algo que, de certa maneira, desprezo. Vivo muito melhor sem ele. A organização do meu funeral não é senão uma actividade lúdica de horas mortas, que tem dado para boas conversas e sadias discussões. As minhas ideias foram mudando, ao longo dos anos. Tinha decidido que queria que lessem o capítulo 13 da I epístola de S. Paulo aos Coríntios :"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine", mas desisti, porque Paulo estraga tudo mais à frente. E já mudei de flores preferidas mil e uma vezes: rosas brancas, cravos vermelhos, girassóis, camélias. Cheguei a dizer que queria levar um telemóvel carregado e com bateria, num caixão sem chumbo, por causa da rede, para poder ligar caso afinal estivesse viva, matando de susto a pessoa que atendesse o telefone. Mil e um pormenores. Mas faltou sempre o mais importante: a música. Toda a gente tem uma música que gostaria que fosse tocada no seu funeral, desde a Lacrimosa de Mozart (para os mórbidos) ao Goodbye my lover do James Blunt (aproveito já para avisar os meus amigos que escolherem esta última que se arriscam a que eu tenha um ataque de riso nos seus funerais, dada a pirosice da coisa).

Eu não consigo decidir que música é que eu quero para o meu. Podia ser uma pseudo-intelectual cara de cu e querer o Concerto #1 para piano, de Tchaikovsky. Ou alternativa e escolher uma coisa levezinha dos Sigur Ros. Ou brejeira e encomendar ao Quim Barreiros um requiem especial, com muito acordeão e que metesse palavras alusivas a enterro. Pressuponho que ainda tenho algum tempo para decidir, mas de pressuposições estão os cemitérios cheios. Há sugestões?

Sunday, March 6, 2011

actualizações várias

Há dois dias que tenho sérios problemas em levantar-me da cama e dar uns passos até à casa de banho sem ficar entrevadinha para o resto da vida, e a culpa é do Fernando, que me pôs a correr 45 minutos à beira-rio: a mim, a pessoa mais preguiçosa deste mundo. Os únicos desportos que aprecio são a patinagem no gelo (e fico feliz por não existirem pistas em Portugal), e todos os desportos que possam incluir o Nelson Évora em fato de licra. Considerando que não tive dor de burro, morte súbita, cãimbras ou outras maleitas graves, proponho repetir a corridinha para a semana, para ver se tonifico este rabo sedentário.
As minhas intenções de estilo de vida saudável não passam apenas pelo jogging: a alimentação também é importante, pelo que hoje, pela fresca (gelada...), decidi ir à Feira do Queijo. Que para além de queijo da serra, bom pão e bom vinho tem ainda "ranchos folclóricos, bandas, balões em forma de coração e farturas a escorrer óleo", conforme me garantiu a minha mãe para me convencer a sair de casa. Não havia um único lugar para estacionar e caía uma chuva estranha misturada com gelo que me obrigou a desistir do queijo e das farturas e a vir para casa ser saudável e comer pão, queijo, chouriço e outros alimentos de elevado valor nutricional. Consta-me que amanhã o meu pai irá grelhar picanha, mal passada, como se quer, e mal posso esperar pela hora de almoço. A minha avó não lê o meu blog, ou estaria já a resmungar que a minha agressividade é da carne vermelha que eu como e a benzer-se perante o meu pecado guloso.
Já devia ter começado a estudar para o exame da OA, mas a verdade é que sem data marcada é impossível trabalhar. Quando marcarem a data, começo. E quando faltarem 3 dias é que vai ser a sério.
Também tive muita sorte nestes dias:
1) na caixa do supermercado do ti Belmiro, a senhora observa o meu talão e dá-me um PARABÉNS!! com tal entusiasmo e suspense que subitamente pensei: é um carro? uma viagem? um dia no SPA? _ Acumulou 5 euros em cartão por ter feito 500 euros em compras!(humpf!)
2) ía pagar 10,71€ por dois livros do Cardoso Pires e a menina informa-me que tenho 20€ acumulados em cartão e se não quero descontar 10€. Muito bom trazer dois livros para casa por pouco mais que um café. (Embora já tenha devorado os dois...)
3) sexta feira passada, ao acordar, a primeira coisa que me ocorreu foi jogar no Euromilhões. Eu nunca jogo, nem me lembro que tal coisa existe. Lembrar-me só podia ser sinal do destino. Mandei um sms ao meu irmão com a chave e disse-lhe que jogasse por mim. Não acertei nem um número... a sorte foi o meu irmão não ter jogado, fazendo com que ganhassemos 2€!
Também descobri que ganho mais a dobrar roupa que a livrar gente da prisão e que aquela vozinha interior que existe para nos avisar de que estamos prestes a tomar opções merdosas na vida deve ter morrido quando eu tinha 5 anos, daquela vez que eu meti os dedos na torradeira e apanhei um choque eléctrico.

Sunday, February 27, 2011

The "O" night

Eu sei que tinha prometido nunca mais dar a mínima importância a uma Academia que não entregou o óscar de melhor filme ao Babel. Mas é mais forte que eu: noite de óscares é noite de óscares. Não vou dar palpites. Não posso, porque não vi todos os filmes nomeados, e estaria a ser muito injusta. Mas vou dizer por quem vou torcer esta madrugada, se conseguir não adormecer irremediavelmente durante a atribuição dos óscares nas categorias técnicas:

Iñarritu devia ganhar uma estatueta por "Biutiful", na categoria de melhor filme estrangeiro. Já fez coisas bastante melhores, é verdade: Babel, Amor Cão, 21 gramas. Sou uma fã incondicional do seu trabalho. Intrincado, duro, difícil de digerir, mas que fica na nossa cabeça tanto tempo depois de acesas as luzes da sala. Iñarritu vai ser sempre o meu realizador preferido.


E em "Biutiful", o desempenho de Javier Bardem é tão absolutamente brilhante, que não consigo imaginar mais ninguém a sair vencedor como melhor actor. Além disso, como é que eu não iria torcer pelo Bardem? (hot hot hot)

Devo dizer, no entanto, que os pequenos actores que são filhos de Bardem em "Biutiful" também deviam ser fortemente premiados. E a gaja feiosa mas muito talentosa que faz de ex-mulher.


Como melhor actor secundário, faço figas pelo Christian Bale. O homem é um camaleão. Basta.


Apesar de Melissa Leo ser a grande favorita ao Óscar de melhor actriz secundária, preferia que ganhasse a estranhíssima Helena Bonham Carter. Por isso mesmo: a estranheza.


Natalie Portman vai ser oscarizada pelo desempenho em Black Swan. E acho muito bem. A interpretação dela é o que o filme tem de melhor.


Este ano não tenho favorito na categoria de melhor filme. Nem me apetece torcer por nenhum. É da maneira que não me decepciono.


E porque é que o Tchaikovsky não é candidato à categoria de melhor banda sonora? hein??








Saturday, January 29, 2011

um sábado à tarde em 1996

Em 1996 eu ainda tinha dentes de leite a querer cair. E a minha ocupação principal dos sábados à tarde era ouvir música. Só. Sem fazer mais nada. Por essa altura acabou-se o reinado do "Best of Jimi Hendrix" a tocar ininterruptamente no leitor de CD's do meu irmão, porque eu tinha recebido, no Natal, o meu primeiro CD: "Jagged Little Pill", da Alanis Morissette. Lembro-me desse presente com mais nitidez do que de qualquer outro porque, dos dois pedidos que alguma vez fiz aos meus pais de presentes de Natal, foi o único que eles me satisfizeram. O outro foi uma pista de carros (vivo até hoje traumatizada).
O álbum trazia uma coisa absolutamente fantástica: o livrinho com as letras das canções. Em boa hora. Em 1996, e graças à Alanis, melhorei substancialmente o meu Inglês. E tudo porque arranjei um caderninho onde, com muita paciência, ía traduzindo, com a ajuda do dicionário, a letra de cada canção. Se os meus pais soubessem as ideias que esse álbum trazia dentro, ter-me-íam dado a pista de carros dos meus sonhos.
E devo acrescentar que, ainda hoje, acho que não há uma única faixa do álbum que não seja excelente.






Monday, November 15, 2010

Olá, sou a nova vizinha do segundo!


Mudei de casa. A bem da independência pessoal, sanidade mental e relações familiares entre os meus primos caloiros e eu.


O prédio onde vivia tinha 9 andares com 4 apartamentos cada um. O actual tem 4 andares com 3 apartamentos cada e é desprovido de elevador (alguém se oferece para me ajudar a mudar o sofá?).


Descobri que viver num bairro-dormitório em Coimbra é muito diferente de viver nesta aldeia à porta da cidade. Até agora, a última parece-me melhor: vistas de luxo para o luxo, pastelaria, mini-mercado, loja de ferragens e cabeleireiro pertíssimo, excelente isolamento acústico. Ausência de bandas de garagem e afins e, até ver, ausência de senhoras do círculo de leitores, comerciais das tv's por cabo, testemunhas de jeová e outros que costumam bater-nos à porta precisamente quando estamos a pintar as unhas dos pés, de roupão, com creme descolorante no buço e cabelo desgrenhado.


Mas as odisseias com os vizinhos continuam. E se no anterior apartamento o problema era a escassez de isolamento de som, aqui é a escassez de lugares de estacionamento: logo na primeira semana, cometi o erro crasso de estacionar o bólide frente a uma das garagens do prédio. Era para ser só por 5 minutos, mas adormeci e acordei meia hora depois, com buzinadelas frenéticas e a campaínha da porta a tocar como se houvesse um incêndio: tive que encarar, de olhos remelosos, a cara furiosa do dono da garagem, que é desses sujeitinhos que penduram as meias na corda por degradé de cores, e pedir mil desculpas, enquanto tentava recuar, com as lentes de contacto secas.


Depois, começamos a estacionar num excelente lugarzinho que (aparentemente) não incomodava ninguém, entre um carro sem rodas coberto por um toldo e um renault clio velho com todos os pneus furados. E os nossos carros começaram a aparecer "trancados" por este último. Sem que ninguém se apercebesse, o dono fazia-o descair para nos impedir de sair dali. Com manobras de génio e alguns toques no carro dele, sempre conseguimos contornar o obstáculo. Até sábado...


Furiosas, em cima da hora para ir trabalhar, vai de buzinar até que o polegar nos doa. Aparece a vizinha do quarto, vociferando que não-sei-quem estava convencido que aquilo era tudo dele e que tinha a mania de trancar tudo quanto era veículo e que até já havia queixa na polícia municipal. Que vivia no prédio do mini-mercado e toda a gente sabia quem ele era. Eu, de cabelos em pé, decidi logo chamar a polícia com um reboque, mas a Cláudia, mais sensata e pacífica, achou melhor tentarmos encontrar o homem para falar civilizadamente. Depressa percebi que a situação não era nova, porque toda a gente no mini-mercado sabia bem de quem é que eu andava à procura. Porém, informaram-me que sim, senhor, o homem arrenda o espaço todo e que se ele já nos tinha trancado o carro, não tínhamos nada que o lá deixar. Retorqui que eu não adivinho que contratos de arrendamento é que ele tem, que sem placa de "parque privado" eu deixo lá quantos carros quiser, e que vou chamar já a polícia.

Claro que, já depois de eu ter apanhado outra boleia para ir trabalhar, aparece o homenzinho, na sua motoreta, vindo de um tasco qualquer com um bafo bastante esclarecedor e que talvez tenha sido a causa de ele se espetar de mota contra o portão da própria garagem. Vinha indignadíssimo, que não tirava o carro não senhora! Isto é tudo meu e o camandro, e não sei como tiraram daqui o carro das outras vezes, e a polícia, e Pombal e Castelo Branco, uma salganhada. A Cláudia lá optou por conversar com os filhos do homem, sóbrios e sensatos, que acabaram por tirar o carro. Chegou a polícia e não foi preciso sair da sua viatura branca e azul. E o vizinho continua sem lá pôr a placa de "Parque Privado"...

Tuesday, August 24, 2010

Outono/Inverno 2010-2011

Folheava eu o site da Vogue para me inteirar das tendências da moda deste Inverno(trabalhinho de casa), quando me deparo com fotos dos desfiles da Calvin Klein. Não vou falar da roupa, porque é horrivel. Mas pior que a roupa, são as modelos: já vi toxicodependentes a arrumar carros com muito melhor aspecto. É aquilo, o conceito de "beleza"? O tema da colecção será a exumação de cadáveres? O que comeram as manequins no último mês? Um cournichon?
Quando dizem que a moda não é responsável pelos distúrbios alimentares nos jovens, eu quase consigo acreditar: ninguém no seu perfeito juízo pode querer ficar parecido com isto...

Thursday, April 15, 2010

Música no coração

Como introdução, tenho algumas confissões embaraçosas a fazer:


1. "Música no Coração" foi, durante anos e anos, o meu filme preferido. Vi-o centenas de vezes e ainda hoje sei todos os diálogos e canções de cor.

2. Tenho a certeza absoluta que, se visse hoje o filme, voltaria a chorar na cena em que a Madre Superiora canta "Climb every mountain."

3. Quando tenho insónias ou estou cheia de medo, canto para dentro todas a músicas do filme, por ordem, e geralmente consigo sempre adormecer depois do "Edelweiss".


Agora que estou cheia de vergonha, já vos posso dizer que decidi finalmente responder a uma pergunta que fiz a mim mesma muitas vezes: o que é feito dos actores e actrizes que interpretaram os sete filhos do Capitão Von Trapp? Rápida pesquisa e eis os resultados:






http://www.angela-cartwright.com/soundof.htm

Para quem tinha a mesma curiosidade que eu, cliquem lá, que vale a pena.

E agora, que já se faz tarde... So long, farewell, aufwiedersehen, goodbye... lalala!