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Saturday, March 26, 2011

Fecho os olhos à escuridão
que corre fora das janelas fechadas
as mãos com os teus beijos guardados
dentro de mim a luz
que os meus olhos sussurram
obscuros como tu dizes
o meu nome à flor dos lábios
do fundo da noite
da curva do chão do corpo
espiral ressoando o teu nome
no silêncio do meu coração
que encontra na solidão
a forma de estar contigo.

Saturday, January 29, 2011

Friday, January 28, 2011

estado febril


Só Matisse poderia retratar-me com todas as cores da febre.

Friday, January 7, 2011

às vezes,


em certas circunstâncias, sinto-me EPIFANOFÓBICA.

Saturday, January 1, 2011

revelhão

passar a meia noite com o auto-rádio aos berros, na beira de uma estrada qualquer em Mira, a caminho da Vagueira, com 2 copos roubados e uma garrafa de espumante quente a dizer "amo-te" no rótulo, só pode ser bom sinal! E, afinal...



ÓL AI UANA DU IZZ ÉVE SAM FAAANNN!!!

Friday, November 19, 2010

Sunday, September 5, 2010

metáforas

Quem escreve diz que as ondas da maré vaza desaguam nas algas como beijos sonolentos, ou que a mão das núvens percorre o corpo da areia, adormecido entre lençóis de cardos. Se falasse de beijos, diria que são sonolentos como ondas da maré vaza desaguando nas algas. E se falasse de um corpo acariciado entre lençóis, diria que é de areia branca, e os lençóis cardos, e a mão sombra rápida de núvens.
Quem escreve, às vezes, rasga com palavras fáceis silêncios intraduzíveis.

Wednesday, July 28, 2010

Vamos brincar #3

Faz de conta que tu és um gato e eu um castelo de cartas.

Sunday, May 30, 2010

Q&A

Não interessa se estás sozinho no silêncio, ou rodeado de amigos e música e copos e cigarros: quando alguém te empurra, tens mesmo que fazer a viagem para dentro de ti, rumo ao que ainda não sabes. Ou será que sempre soubeste?

Tuesday, July 22, 2008

Take the box


Olho para as fotografias e não te reconheço. É como se nunca tivesses existido. Como não existiu o teu carro à porta do meu prédio, não existiu aquela praia escondida na serra, não existiram as manhãs de lençóis revoltos, nem as tuas mãos, nem intermináveis conversas ao telefone, noite dentro, nem os teus cabelos, nem a minha pele. Olho para as fotografias e sinto que podia rasgá-las sem um estremecimento. São papéis lustrosos, de sorrisos. Vazios.
Lembro tudo como se tivesse sido um sonho. Junto as fotografias à caixa onde estão as cartas que também não existiram. E os fantasmas de tudo o que me deste. Cheguei a querer entregar-ta. Cheguei a querer ver tudo espalhado na tua rua, o sangue de um espetáculo de morbidez, os vizinhos à janela. Talvez para tentar re-presentar tudo. Já não preciso. Os fantasmas já não me assustam. Como nunca te assustaram a ti. Não existo.