There is a house built out of stone Wooden floors, walls and window sills... Tables and chairs worn by all of the dust.. This is a place where I don't feel alone This is a place where I feel at home.......
Cause, I built a home for you for me
Until it disappeared from me from you
And now, it's time to leave and turn to dust........
Out in the garden where we planted the seeds There is a tree as old as me Branches were sewn by the color of green Ground had arose and passed it's knees
By the cracks of the skin I climbed to the top I climbed the tree to see the world When the gusts came around to blow me down I held on as tightly as you held onto me I held on as tightly as you held onto me......
Cause, I built a home for you for me
Until it disappeared from me from you
And now, it's time to leave and turn to dust........
Nunca fui fã da Mafalda Veiga, mas esta tem uma letra absolutamente fabulosa.
Pedes-me um tempo, para balanço de vida. Mas eu sou de letras, não me sei dividir. Para mim um balanço é mesmo balançar, balançar até dar balanço e sair..
Pedes-me um sonho, para fazer de chão. Mas eu desses não tenho, só dos de voar.
Agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me a dizer que me estás a salvar. De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração...
Pedes o mundo dentro das mãos fechadas e o que cabe é pouco mas é tudo o que tens. Esqueces que às vezes, quando falha o chão, o salto é sem rede e tens de abrir as mãos.
Pedes-me um sonho para juntar os pedaços mas nem tudo o que parte se volta a colar.
E agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me e dizes-me para te salvar. De quê? De viver o perigo. De quê? De rasgar o peito. Com o quê? De morrer, mas de que paixão? De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e não ter nem sentir o vento ardente a soprar o coração.
"Deitada sobre a cama, noite de lua, ofegante. O lençol desce-te até ao ventre, na luz pálida que passa pela cortina transparente, vejo-te, estaco fulminado _"deita-te"_ , ergues um joelho sob o lençol, os dois seios nus pousados no peito, a mancha da face entre os cabelos escuros desalinhados. Rápido, destro, a urgência fina e funda, intenso, violentíssimo, o meu corpo erguido na noite, um clarão suave abrindo ao alto no teu quarto. Ágil, curvilíneo, plasmado às vagas do teu calor, massa densa e húmida, a humidade ressuma da íntima fermentação, lúbrico, lubrificável. Duro, reteso. Toda a violência da terra, mastigação vulcânica, laboriosa, do plasma original, apontada a ti, centrada massa endurecida irrompe, ameaça tensa como um dique de pressão crescente ó Deus, ó Deus, e como é belo um punho cerrado a cólera hirta de olhos estoirando no fundo de mim e a procura cega do mais absoluto exigente vigoroso a raiva, a raiva, arre! tu, máximo inacessível e tão perto _a invasão expande-se na onda de orgulho alta como o poder concreto de todas as forças conglomeradas, tomba, impacte brutal, alastra à babugem escumosa na praia aberta, efervescente vencida no trémulo cisco ainda esfervilhando ainda faúlha breve aqui e além no estertor do fim escorrida em baba e em choro reabsorvida na areia porosa da terra que recomeça..."
"Depois de ler "Para Sempre" e de descobrir que o corpo de Vergílio estava sepultado num canto do cemitério dessa aldeia que sempre foi a sua, virado de frente para a Serra, tal como pedira, não resisti a procurá-lo. Encontrei a casa. E encontrei-o. Era Verão e o chão queimava, sentei-me na beira da campa rasa como na beira de uma cama acabada de fazer. Senti-lhe a presença de brasa incandescente sob as cinzas e pedi-lhe que me pusesse a mão sobre o ombro (tantas vezes me apeteceu essa mão sobre o ombro quando me perdia nos teus livros). Conta-me, Vergílio, diz-me o que vês. Permaneceu em silêncio, e no silêncio ouvi-o: olha, a enorme massa da montanha sob o céu carbonizado... Eu vi. Fechei os olhos. Já sei onde te procurar. A vontade de ficar aqui, para sempre."
21 de Janeiro de 2008 15:05
Quando escrevi isto, nunca tinha ido a Melo, nem nunca tinha visto a campa de Vergílio. Fui depois (contigo Zé, lembras-te?) e a surpresa foi nula, porque era como se já tivesse estado naquele cemitério dezenas de vezes. Não hesitámos sequer no caminho até à sepultura, fluímos para ela como se não houvesse mais nenhuma.
Lembro-me de ter pensado em como era curioso que um homem que passou toda a vida a afirmar aos gritos que a morte é um nada-nada, tivesse deixado escrito o desejo de ser enterrado de frente para a montanha... Sorri. Somos mesmo assim: Ternurentamente crédulos, apesar de apontarmos a nós próprios a arma da racionalidade, carregada de argumentos. Pólvora seca, talvez. Vou voltar a Melo, Vergílio. Já estou cheia de saudades.
Li, há uns anitos, um livro seu, de título "O Delfim". Não o compreendi e, consequentemente, não gostei. Liminarmente, dei-lhe um empurrão para o fundo da minha lista de autores, baseada única e exclusivamente nessa má experiência literária. Hoje, sou obrigada a reconsiderar e a pô-lo no topo. Porque "A balada da praia dos cães" é simplesmente magistral. Devo-lhe um pedido de desculpas: desculpe.