Showing posts with label leituras. Show all posts
Showing posts with label leituras. Show all posts

Thursday, April 21, 2011

Semana Santa

Três dias que foram de via-sacra: primeira estação _ o ESTUDO; segunda estação _a DESCONCENTRAÇÃO; terceira estação _ o ARREPENDIMENTO. Depois decidi que não tenho vocação para cristo de chagas abertas e fui afastar o cálice da amargura com o Cesariny, o amado Cardoso Pires, a Natália e o Eugénio (que saudades!).

Amor com amor se paga, e estes são amantíssimos: no sofá da sala, na varanda, na mesa da cozinha. A cama reservo-a para o Cardoso Pires: não o largaria se o corpo não me pedisse sono. E a "Mena" sentada ao fundo da minha cama, fumando sem parar, de camisolão pelos ombros. Às vezes tenho medo que se sinta ofendida por me ver invadir-lhe a vida. "Podias ser eu", digo-lhe, e ela abana a cabeça com ironia esmagando mais um cigarro no meu edredon. Deve estar a pensar que eu não tenho densidade suficiente para ser personagem de romance. E tem razão. Mas eu sou demasiado insignificante para que se dê ao trabalho de mo dizer.

Wednesday, March 9, 2011

Aprender a ler


A genialidade da escrita de Cardoso Pires, que a cada livro, a cada conto, a cada parágrafo me deixa abismada, deixou-me também com uma necessidade que já sentira, de certa forma, com muitos livros de Vergílio Ferreira, alguns de Lobo Antunes e de Miguel Torga, e quase todos os dos poetas que mais amo (Eugénio de Andrade, Ary dos Santos, Natália Correia, Maria do Rosário Pedreira): a de alguém capaz de me explicar o que não entendo, de me mostrar o que os meus olhos leigos não vêem nas entrelinhas, de me desfazer possíveis equívocos. Quanto mais leio, mais notório se torna que, de facto, não sei ler. E, enquanto não souber, não poderei escrever nunca.

Sunday, March 6, 2011

Estou perdidamente apaixonada

(suspiro) pelo José Cardoso Pires que, depois da "Balada da Praia dos Cães"(suspiro), me deixou de quatro com os "Jogos de Azar" e "A República dos Corvos" (suspiro).

Friday, May 22, 2009

A vocação consentida


" Transponho a porta e subitamente vejo tia Joana sentada num banco raso ao pé da janela. Está imóvel, tem no colo um alguidar, com a mão direita segura uma faca, com a esquerda segura um molho de couves. Deve estar a migar o caldo-verde. Mas não se move. Tem a cabeça inclinada para o trabalho das mãos, a faca meio enterrada para o molho de couves, paralisada como num instantâneo fotográfico. A luz da janela bate-a de lado, toda ela lembra um modelo de cera fixada numa posição (...)Está assim sentada, imóvel na tarde que esmorece, batida na face da luz pálida da janela. Tem um alguidar no colo, as mãos imobilizadas a cortar o caldo-verde, os olhos fixos nas mãos. Parada na eternidade, olho-a sempre, não se move."

Vergílio Ferreira, Para Sempre

Ontem, na Almedina, Isabel Cristina Rodrigues falava da vocação consentida de Vergílio e a profunda ligação que parece existir entre a sua escrita e a expressão plástica. Vergílio teria preferido ser pintor. Para mim, foi-o. Pintor sem tintas, sem pincéis. Como tela, a folha em branco. Como tema o "impintável".

Wednesday, May 20, 2009

...

"... escrever é uma maneira de morrer sem dar nas vistas..."

Isabel Cristina Pires, O nome do poeta


pascal renoux


ou de se gritar que se está só, diria eu.

Monday, September 22, 2008

A mulher certa


Demasiado maravilhada com este livro de Sándor Márai para escrever seja o que for. Até para a semana.