Sunday, June 29, 2008

No tempo da outra senhora


Piquenas pérolas da educação da mulher portuguesa nos anos 60:

-Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957)
Certo. Em caso de dúvida, mandar o homem à m**** (Marta, 2008)
-Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afecto (Revista Cláudia, 1962)
Certo. Se confirmada a infidelidade do marido, a esposa deve dar carinho e provas de afecto... ao seu amante. (Marta, 2008)

-A desarrumação numa casa de banho, desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa (Jornal das Moças, 1965)
No Verão, o marido pode muito bem tomar banho com a mangueira, no pátio, e levar com ele a porcaria dos cremes da Nívea for Man, arrumando-os na garagem. (Marta, 2008)
-A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959)
O marido pode descansar depois de ter lavado o chão, estendido a roupa, arranjado a torneira que pinga e ter aplicado o Frontline Combo no cão. (Marta, 2008)
-Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinza nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa. (Jornal das Moças, 1957)
Não há necessidade de nos aborrecermos por tão pouco. Se a cinza cai no tapete, o marido aspira. E também pode levantar-se para nos ir buscar um cigarrinho pós-coital. (Marta, 2008)
-A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a uma mulher que não tenha resistido a experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, tal como ele a idealizara. (Revista Cláudia*, 1962)
A mulher deve estar ciente que dificilmente algum homem lhe pegará se ela não tiver tido experiências sexuais anteriores, mostrando que não é púdica e que é tão boa na cama como ele idealizara (embora não demasiado batida...) (Marta, 2008)
-Mesmo que um homem consiga divertir-se com a sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida, 1954)
Os homens tendem a divertir-se mais com mulheres que se fazem difíceis, ora fugindo ora deixando-se cair, quais ninfas da Ilha dos Amores. (Marta, 2008)
-O noivado longo é um perigo. (Revista Querida, 1953)
Oh, se é! Faça-se difícil durante demasiado tempo e vai ver para onde vai o seu querido... (Marta, 2008)

-É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças, 1957)
Devemos começar a preocupar-nos quando os cremes dele ocupam mais espaço que os nossos, a nossa pinça boa-que-arranca-os-pelos-e-não-os-corta-nem-belisca desaparece misteriosamente e a roupa interior dele é mais cara que a nossa lingerie. Por todas as razões e mais algumas. (Marta, 2008)



*Bolorenta, esta "Cláudia"... damn!!

Saturday, June 28, 2008

London, last night




Resposta a todos os que a davam como morta/afónica/ligada às máquinas. Who'se your diva?!


PS: Amy, amy... não te cuides,não...

Friday, June 27, 2008

Estagiários


O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, disse hoje que há “centenas e talvez milhares de pessoas presas por terem sido mal defendidas”, porque as defesas oficiosas por advogados estagiários são geralmente “mal feitas”.

“Um estagiário não está preparado para advogar, por isso mesmo é que é estagiário”, disse na antena do Rádio Clube Português (RCP). Considerou também que o que se “passa é uma vergonha” e que “vai acabar com isso”.

(in Público on-line)

O nosso Bastonário é, de facto, uma mente brilhante: um advogado estagiário não está preparado para advogar. Só estará quando concluir o estágio. Isto porque o estágio lhe permite aplicar na prática as suas competências teóricas. No entanto, se o advogado estagiário deixar de poder advogar durante o estágio, a única capacidade que ganhará, em 30 meses, será a de tirar fotocópias, atender telefones e marcar as audiências na agenda do seu patrono. Aprenderá ainda as virtudes dos sofás da sala de espera do escritório e que os arguídos oficiosos cheiram mal.*
Depois disso, sim, já pode defender pessoas.

Temos pena, sr. Bastonário. Mas tem mesmo que haver cobaias! E diga-se, em abono da verdade, que há advogados estagiários que, precisamente por serem estagiários, trabalham com mais empenho e diligência que muitos Ilustres Mandatários de renome... "Ganha fama e deita-te na cama", já dizia a minha avó.

*Refiro-me a grande parte dos estágios e não ao meu. Porque a Dra. B. é incapaz de fazer de nós suas secretárias. Até porque o Sr. João e a querida Maria dão muito bem conta do recado. Mas um arguído oficioso, é sempre um arguido oficioso...

Wednesday, June 25, 2008

Conversa de circunstância


(Rebeca Waller)


Primeiro entrou ela, o cabelo branco de algodão e a gordura do corpo, a contrastar com o fato de treino e os ténis.
Na paragem seguinte, ele. Subiu a custo os degraus, as costas sempre direitas, a bengala na mão esquerda. Ao vê-la, cambaleou um pouco ao longo do corredor para acomodar no banco ao lado a sua excessiva magreza.

Ela: vou agora para a ginástica! É na piscina do hospital. Aquilo faz-me mesmo bem, saio de lá como nova!
Ele: quando a minha neta era pequena, corria para o meu colo e pedia-me que lhe contasse histórias. Agora já não faz caso de mim...
Ela: a sua neta é uma mulherzinha, tem 15 anos, já não quer histórias. Mas você tem a sua mulher, não está sozinho.
Ele (o olhar a defender-se do entusiasmo dela): a minha mulher... se ao menos me ouvisse... se eu ainda tivesse mão para pintar. Dantes pintava. (as mãos rugosas, os dedos curvados sob manchas castanhas, desenhando nuvens no ar) Agora não tenho dedos para pegar nos pincéis. Não tenho firmeza para desenhar sem tremer. Eu já pedi a um médico que me fizesse a eutanásia... Mas ele não quer...

E eu no banco de trás, ainda cega da luz da manhã nas fachadas dos prédios, a chorar por dentro e a lembrar-me do Bailote da "Aparição", que já não tinha mão para semear e se enforcou.

O Xanax é um antipirético

Baixou-me a febre da escrita.

Tuesday, June 24, 2008


Depois de tudo, conclui que o caminho mais fácil para a felicidade é o do embrutecimento. E decidi começar a matar neurónios com armas de destruição maciça já amanhã.

humpf


Estou em tédio e não devia. Exame na OA, quinta feira. Balanço:

Horas de estudo: 30 min. em 5 dias.
Matéria estudada: qualquer coisa a ver com a petição inicial.
Stress relativo à probabilidade de reprovação: antes de Xanax, 1000 e depois de Xanax, zero.
Vontade de estudar: zerooooooo
Vontade de fazer algo construtivo: zero
Algo que me apetece fazer: conduzir directa à Figueira e deitar-me na praia até parecer um melanoma com pernas.
Estado do quarto: tenho inveja da barraca dos ciganos. Lá existe espaço para caminhar.
Nº de sms recebidas: zero
Nº de telefonemas recebidos: zero
Nº de telefonemas efectuados:1 para a mãe (relatório diário obrigatório de alimentos ingeridos)
Estado psicológico geral: depressivo, com traços de auto-ironia.